Em uma conversa lá no céu:
- Ei, Pedro, acorda! Tenho que te mostrar uma coisa, corre cá, venha ver.
- Hã! Fala, João!
- Está vendo aquela família lá embaixo? Aquela lá derramando em lágrimas, sofrendo. Tá vendo aquele pessoal ao redor que não sabe mais o que fazer?
- Sim, estou vendo, João! Mas o que é que tem? O que houve de fato?
- Pois é, aquele deitado chama-se, José... José Domingos de Morais. Mas vamos chamar ele de Dominguinhos, porque é assim que o-chamam lá em baixo.
O cara ai do andar de cima escreveu uma história de vida linda pra ele. Linda mesmo. Tirando o começo que é meio sofrido (período em que ele passa por várias dificuldades no Sertão Nordestino) e o fim, mas esse nem conta, porque é triste para todos.
O ''cabra'' era filho de afinador e tocador de sanfona. Imagine só qual o futuro. Mais tarde conheceu o mártir da sanfona, Luiz Gonzaga.
Não tinha pra onde correr, Pedro. O moço ia ser sanfoneiro, tocador de baião e dos bons, hein!
- Nossa, João! Esse Dominguinhos deve ser bom mesmo, hein!
- Sim, Pedro! O ''omi'' é danado de bom. Talentosíssimo, ótima pessoa, humilde, etc. É um homem brilhante.
- Sei... Mas João, porque aquele povo está chorando ao seu redor?
- Pois é, Pedro. Ai que eu queria chegar com você. Sabe a nossa orquestra, né?
- Sim, o que tem ela?
- Na verdade, Pedro, é o que não tem nela ainda. Estamos precisando de um outro fera no acordeon. Gonzagão tá ficando cansado.
- Ah sim, entendi.
- Então, falei pro chefe ai da nossa necessidade, que estávamos precisando de mais músicos e tal. Ai ele me falou de um tal de Dominguinhos. Interessei! Até mesmo porque, estamos precisando né, Pedro?!
- Verdade, João!
- Mas e ai, o chefe vai trazer?
- Sim, Pedro. Está de chegada hoje a noite. Vamos aguardar, né! Tô doidinho pra ouvir o fole da sanfona desse homem.
Bom, talvez seja essa a explicação de estarmos perdendo os melhores músicos. O povo lá de cima está necessitado de musica boa, de músicos bons para compor a orquestra dos céus. Dominguinhos, se foi. Foi tocar um pouco de baião, junto com Gonzagão, cantando as letras do Chorão lá na orquestra dos céus. Singela homenagem ao nosso majestoso, Dominguinhos. Desconsiderem os nomes de Pedro e João, são fictícios.
(KALLAY, 2013)
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| Vá e descanse em paz, Domingos! |

Parabéns, belo texto.
ResponderExcluirObrigado, Vilma. Abraços!
ResponderExcluirParabéns!Continue escrevendo,guarde seus textos para serem editados.Em breve estaremos homenageando o Escritor arraiano Alexandre Kallay no SARAU LITERÁRIO DA EJA.
ResponderExcluirHeHe! Obrigado, Gilda. Abraços!
ResponderExcluirGrande Kallay! Parabéns... Excelente texto! Abs.
ResponderExcluirObrigado, Poliana! Abraços!
ResponderExcluirCara quem vai cantar em arraias
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